terça-feira, 30 de abril de 2013

Missão Risinhos Esmiuçada

   Missão Risinhos revoluciona a forma de ajudar os outros (accionistas)

Bom dia caríssimos amigos, bloggers, leitores e demais interessados, 


é com enorme revolta dentro do meu ser e uma constante luta com a minha consciência que vos escrevo uma crítica relacionada com as famosas missões risinhos (nome fictício), que de norte a sul correm o país a "ajudar" quem precisa. Certamente já todos nós, à entrada de um hipermercado de nome bem conhecido fomos abordados para levar um saco de plástico no qual colocaríamos as compras que achássemos convenientes para ajudar que precisa, e aqui sim, a palavra ajudar não leva aspas.


Todos nós, na nossa inocência, ou por vezes até um pouco levados pelo impulso de ajudar, acabamos por pegar nas saquinhas e efectuar uma compra, mesmo que simbólica, de qualquer coisa para ajudar os mais carenciados.

O meu desafio é muito simples: Parem e analisem comigo esta espectacular iniciativa de solidariedade levada a cabo por essa mesma cadeia de hipermercados. Pois bem, partamos todos do princípio que somos donos de uma dessas superfícies comerciais e que aderimos a uma iniciativa destas, para começar. Despesas iniciais desta iniciativa, zero euros. Coloquemos alguma publicidade na televisão acerca desta campanha, temos despesas, sim, que eu nem pretendo calcular, mas se pensarmos como um verdadeiro economista, temos uma despesa em publicidade que, caso não tivéssemos tido a ideia de apoiar esta iniciativa, teríamos que ter na mesma, mas como publicidade "normal". Assim, despesas até aqui, zero euros (uma vez que apenas substituímos um tipo de publicidade por outro). O espaço ocupado pelas recolhas é, geralmente, um espaço que nem sequer é usado, à entrada dos hipermercados, ou outro local similar (sim, porque o Tio Miro e sua comandita não deixam nunca o lucro possível por mãos alheias (uma coisa é ajudar a ajudar, outra completamente diferente é ajudar mesmo - e a SGPS deste grupo económico não é a Santa Cas,a da Misericórdia - sem nenhum tipo de intenção de ofender a Santa Casa). 

O próximo passo será da parte do cliente, uma vez que este é que leva a saquinha e vais às compras solidárias. e aqui sim, é que entra a verdadeira generosidade do grupo. Os clientes, convictos que a iniciativa é a mais indicada, partem para a demanda das suas compras e, pelo caminho, recolhem alguns sacos de arroz, pacotes de bolachas, conservas, etc, para ajudar instituições de solidariedade social, como a da "senhora dos bifes" (não sei se se recordam de alguém que nos mandou comer outra coisa, porque não podíamos comer sempre bifes). 

O truque está aqui. Se íamos comprar 100€ de compras, não as deixamos de comprar por causa destas acções, apenas somamos ao que já pretendíamos levar, o restante. Assim, o lucro das nossas compras está garantido. Mas reparem que, o que oferecemos foi comprado ali, naquele preciso local, naquela mesma superfície comercial que decidiu "ajudar" esta instituição. Assim, e vamos a um cenário irrealista onde o lucro de cada pacote de arroz apenas dá um cêntimo (sim, apenas 0,01€) de lucro ao hipermercado, e que cada cliente apenas leva um quilograma (ou um pacote). Por cada campanha recolhem-se milhares de toneladas, mas para este caso específico assumimos um dado aproximado da realidade. Uma das campanhas realizadas no último ano, foram recolhidas mais de 2900 toneladas de alimentos, perfazendo assim, um total de 2.900.000 quilogramas, se não me falha a memória do que aprendi na disciplina de matemática. Se cada pacote pesa um quilo e em cada tivéssemos um lucro de 0,01€ (pfff, pois claro que é só isto) por pacote, conseguimos juntar um total de 2.900.000 cêntimos, ou seja, um total de 29.000€. 

Resultado final, uma campanha de sucesso, da qual muito nos podemos orgulhar, que nos custou absolutamente nada, e para a qual nem sequer contribuímos de forma significativa, mas que nos lucrou 29.000€ sem grande esforço. Parece-lhe pouco? Talvez, mas imagine o que é que uma instituição de solidariedade social conseguiria com este valor... isto é que seria solidariedade!!!
Conselho: não deixe nunca de dar, porque estas instituições realmente ajudam as pessoas, mas seja sensato, compre onde é MESMO mais barato, ou dê do que tem, e dirija-se directamente à sede ou filiais da referida instituição, sem intermediários. 

Mas há mais... 

Vá acompanhando e não perca o sono a pensar nisto. 

E como diria o nosso saudoso Raúl Solnado, 

Façam o favor de ser felizes!!!

Um bem haja