Carta Aberta ao deputado António Leitão Amaro
Boa noite António,
escrevo-te esta carta porque vi o que fizeste na Assembleia da República e não gostei nada, por isso achei que ias querer saber isto, uma vez que a opinião dos cidadãos ignorantes como eu deveria ser importante.
Refiro-me a uma pequena discussão que se passou na Assembleia da República entre ti e o deputado João Galamba, onde referiste qualquer coisa relacionada com a honestidade e referiste uma relação direta entre a honestidade dos deputados e a sua profissão (ser ou não ser professor universitário).Pois bem, não sei bem se esta parvoíce foi dirigida também a mim ou não, mas a realidade é que me senti ofendido, porque, apesar de não ser deputado considerava-me uma pessoa bastante honesta, no entanto não sou professor universitário, por isso fiquei na dúvida. Depois de respirar um pouco, e pensar bem no assunto, achei melhor enviar-te esta carta, para te esclarecer um pouco acerca da realidade da vida.
Sou licenciado em Administração Pública pela Universidade do Minho (o curso de Administração Pública mais antigo do país) e, por isso, quero considerar que percebo alguma coisa do que te vou dizer daqui para a frente (e tens que acreditar em mim, porque foram professores universitários, logo, pessoas honestíssimas, que me concederam este grau - um deles, o teu colega, o Dr. Carlos Amorim).
Existem imensas pessoas que nem são deputados da Assembleia da República nem são professores universitários - algumas até têm apenas o ensino primário, ou nem mesmo isso, mas que são, independentemente de tudo, pessoas honestas.
Independentemente da importância que aches que tens na rua onde moras, na universidade onde lecionas, ou mesmo na Assembleia da República, recorda-te sempre que estás a representar todas as pessoas que, ao contrário de ti, não são professores universitários, mas que também se consideram honestas.
Permite-me já agora referir um pormenor que talvez desconheças, nem todos os professores universitários o são por mérito, aliás, em alguns casos tratam-se de amigos de amigos ou de conhecidos de outros professores universitários que, não desmerecendo necessariamente o cargo, não foram submetidos a uma avaliação suficientemente aprofundada para serem escolhidos em detrimento de outros. Por vezes basta que sejam de um determinado partido político (não que seja o teu caso, porque sabemos que és honesto, e eu nunca poria em causa a honestidade de qualquer deputado que seja professor universitário, como tu).
Desculpa se tomei a liberdade de te tratar por tu, porque sei que os professores universitários como tu, geralmente, gostam de ser tratados por títulos pomposos e com alguma reverência, mas como deves compreender, existem, pelo menos, duas boas razões para eu ter optado por esta forma de tratamento: a primeira, é que, geralmente, reservo as formas de tratamento mais respeitosas para aquelas pessoas que me respeitam e não me julgam pela minha escolaridade, berço, profissão ou oportunidades que me foram dadas na vida; a segunda, é porque - e como já te expliquei, sou licenciado em Administração Pública, por isso sei do que estou a falar -, o teu salário é pago por mim, por isso, independentemente das tuas outras profissões, enquanto deputado da Assembleia da República, ÉS MEU FUNCIONÁRIO.
Sabes António, é por causa de situações como esta que as pessoas que não são deputadas nem professoras universitários, cada vez têm menos respeito por pessoas como tu.
Um grande abraço deste ser, que apesar de não ser propriamente teu amigo, decidiu optar por te avisar que a tua atitude não foi a mais correta.
Com os melhores cumprimentos